Museu do Samba chega a 125 depoimentos gravados para a história

Selo sobre o centenário do samba será lançado em evento no Museu do Samba
Foto: Diego Mendes / Carnaval.

O samba pode celebrar 2017 como uma importante marca no quesito valorização de suas raízes. É que o Museu do Samba chegou a 125 depoimentos gravados em seu projeto de salvaguarda da memória do ritmo. Ao longo deste ano, dez destes registros foram viabilizados a partir do projeto Memória das Matrizes do Samba do Rio de Janeiro, que faz parte do Programa Territórios Culturais RJ / Favela Criativa, da Secretaria de Estado de Cultura do Rio de Janeiro, em parceria com a Light e a Agência Nacional de Energia Elétrica.

Entre as personalidades que deixaram seus registros para o acervo do Museu do Samba, está a cantora Leci Brandão. “A memória do samba é a memória do povo brasileiro e, por isso, é uma honra fazer parte deste projeto”. Os outros entrevistados foram os intérpretes Rico Medeiros (do Salgueiro, entre fins de 1970 e início dos aos 1990), Ito Melodia (atual União da Ilha do Governador); Tia Suluca, presidente de honra da ala das baianas da Estação Primeira de Mangueira; Estandília, porta-bandeira do Salgueiro nas décadas de 1960 e 1970; Gigi da Mangueira, passista que brilhou nos desfiles entre 1961 e 1983; Irene Nota 15, porta-bandeira da Portela na década de 1970;  Nãnãna da Mangueira, primeira rainha de bateria da história da Mangueira; Raul Cuquejo, há 24 anos diretor da ala das baianas da Imperatriz Leopoldinense; e Mary Marinho, passista do Salgueiro que formava o trio conhecido como Irmãs Marinho, nos anos 1960 e 1970.

Disponível ao público

Os depoimentos foram gravados em vídeo, com a condução de dois jornalistas e pesquisadores do museu, em sessões gratuitas e abertas ao público em geral. Os entrevistados são sambistas cujas histórias têm sido determinantes para a valorização, preservação e difusão do samba e da cultura das escolas de samba do Rio de Janeiro. Eles contam histórias, curiosidades e falam de suas trajetórias no Carnaval e no cotidiano de suas escolas do coração. Todas as gravações estão disponíveis para consulta do público e têm sido fonte para pesquisadores, acadêmicos, jornalistas e escritores.

Irene Nota 15 exaltou a iniciativa. “Achei a ideia dos depoimentos excelente, pois deixa para a posteridade a história do samba e de todos aqueles que estiveram envolvidos com ele, mesmo os que já estavam esquecidos. Fica um lugar perpetuado na história e isso nos deixa muito honrados, porque não passamos apenas, mas deixamos algo que foi reconhecido como nossa arte, nossa dança, nossa cultura.  Nosso nomes ficam gravados neste lugar que é o Museu do Samba.”

O samba pelos sambistas

A pesquisadora Desirrée Reis, gerente técnica e coordenadora do Centro de Referência do Samba do Museu do Samba, destaca que a instituição permitirá que os futuros amantes do samba conheçam o passado do ritmo contado diretamente por quem o vive. “O Museu do Samba tem conseguido criar uma documentação com histórias e personagens que passaram ao largo da historiografia oficial. Isto possibilita que gerações futuras tenham acesso à história do samba contada por seus próprios protagonistas, a partir de uma fonte que permite que as vozes e os olhares destes sambistas apareçam e sejam valorizados.”

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