Vai-Vai disponibiliza sinopse do enredo

Vai-Vai disponibiliza sinopse do enredo
Foto: Divulgação.

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A ala de compositores da Vai-Vai já tem em mãos a sinopse do enredo para o Carnaval 2018. O texto, de autoria do carnavalesco Alexandre Louzada, foi divulgado pela escola com um título provisório de Gilberto Gil – A música do mundo do artista da paz. A homenagem ainda será desenvolvida por uma comissão que conta, também, com Chico Spinoza, Junior Schall, André Marins e Delmo de Moraes

Sinopse

Gilberto Gil – A música do mundo do artista da paz

Subo nesse palco, eu sou o samba, sou a Vai-Vai, orgulho da retinta herança com a minha aura clara e devota de quem preza o louco bumbum do tambor. Sou a Saracura, que, neste instante mágico, se põe a voar mais alto, até onde a imaginação alcança, em uma fantástica aventura, uma viagem inventada em versos nas linhas de partituras a constelações de melodias, regidas pela força “G” de uma estrela maior, um sol de brilho intenso aberto sobre o Brasil – estrela esta que hoje nos guia, estrela Gilberto Gil.

No combustível da ilusão que nos leva, cintila o real teor de beleza que, quanto mais nobreza, carrega um canto, um poema, uma oração como um desejo de querer falar com Deus. Tenho que me aventurar, subir ao céu, que de certo Deus fará acontecer, dessa estrela se permitir e se deixar cantar assim, contando que a vida seja como um altar que a gente celebre, transcorrendo, transformando esse espaço em um tobogã onde a gente escorregue e navegue em uma órbita sem fim.

Tempo rei, ó tempo rei! Que de todos os meninos sãos, é o grão e a semente de sons, de sanfonas e clarins de bandas, nas bandas do sem fim, de infância, cesto de alegria de quintal, como o Sítio encantado de Lobato que de cedo te fascina.

Faz-se o redemoinho no vento do tempo, do Tororó a Ituaçú, refazendo a história, redesenhando a trajetória com a régua e o compasso que a Bahia te deu e se rejuvenesça temporão, na lúdica visão de abacateiros e regatos, do verde do mato e de sol amarelo como os retalhos de Emília. Tosco como o sabugo Visconde nas lições de sua avó que trazem cheiros e gostos, sabores de goiabada de marmelo, azedo e amargo, são doces tenros, lembranças do menino jiló.

Frutos legados a amadurecer na refazenda mental, amanhecendo canções, regada por um cântaro de bálsamos de quem tem na testa, o Deus sol como um sinal… E assim, na inquieta juventude, fogo eterno a consumir, fez-se o canto cantar o cantar.

E a vida corre como os dedos nas cordas de um violão que um dia se ouviu nos acordes de uma nova bossa, na voz calma de um João e se deixou atrair imantado, fazendo do instrumento a sua nova paixão.

Mas é tempo mutante, movimento gigante, roda que gira, viramundo e, num simples segundo, ideias e sonhos se unem à canção; entre parangolés, cores de Oiticica, flores a brotar na Tropicália, parafernalha fértil e febril a sair às ruas, mãos nuas, voz da razão, de tantos Josés e outros Joãos contra o braço de chumbo de um Brasil na desconstrução a marchar entre espinhos que ferem e sorvetes que gelam o coração na cena aberta de um teatro dantesco no 5º ato da repressão.

Grades que então selam o destino, sentença que amordaça voz e pensamento, verso “subverso”, cala-se, cálice… E ondas correntes na tormenta insana, atando grilhões invisíveis e arrastando um mar de mágoas na viagem do desterro para se ocultar por trás da bruma fria; a bagagem de saudades.

E da terra que se fez seu abrigo, seu e de muitos amigos, ecoaram recados, gritos sofridos por tantos presos e sumidos para nunca mais… Mas a música, alento da distância, se alimenta de novos sons ao enxugar lágrimas, desatando frases nós que deslizam na garganta como um não, não chore mais…

Sim, bem que tu lembras de um janeiro bordado de esperança que desembarcou aqui, repleto de novos sonhos, canções de exílio e tantas outras por vir… E assim surgiu tão exotérico, assim, eclético, antecipado como um expresso além do tempo, para depois do ano 2000, trazendo a novidade em sons e cores, tal qual um Maracatu atômico como jamais se viu, unindo África, Jamaica e Bahia; Doces Bárbaros para o jejum do Brasil.

E hoje se ergue aqui um monumento, um imenso monolito a sua caminhada, caminhadura, de tatame, na luta pela nossa cultura és o herói da resistência, super-homem a nos restituir a glória através da música, a sua essência. Essa noite, eu venho para a festa e trago a minha banda, pois só quem sabe onde é Luanda saberá te dar valor.

Andar com fé, eu vou, no altar do samba que te celebra, a paz invadiu o meu coração e o Brasil se une ao mundo num laço e hoje é todo mundo que te manda, de braços abertos: AQUELE ABRAÇO!

Alexandre Louzada – Carnavalesco

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