Rosas de Ouro levarão os caminhoneiros para o Anhembi

Rosas de Ouro levarão os caminhoneiros para o Anhembi

Os caminhoneiros passarão por uma avenida especialíssima no Carnaval 2018. Eles desfilarão como tema na Passarela do Samba do Anhembi em Pelas estradas da vida – Sonhos e aventuras de um herói brasileiro. Estes trabalhadores, suas vidas e a importância para o país serão o enredo da Rosas de Ouro na disputa do Grupo Especial de São Paulo. O carnavalesco André Machado fará o desenvolvimento.

Sinopse

Pelas estradas da vida – Sonhos e aventuras de um herói brasileiro

Ouvindo o meu coração

Pelas estradas da vida trilho o meu caminho

Muito antes do sol nascer lá vou eu

Seguindo o destino que Deus me deu

Olhos marejados que pelo retrovisor veem

O “até breve” que as vezes demora

Já a saudade dos entes que deixo do lado de fora

Me corrói por dentro na hora da partida

É sempre assim a despedida

São idas e vindas que apertam o coração

E toda vez que olho para atrás

É um nó na garganta que faz

Meus pés ficarem sem chão

Porém, a força de querer dar-lhes o melhor

No meu peito é bem maior

Que a distância que a lida impõe

Por isso, levo comigo a foto de cada um

Na boleia do meu caminhão

Junto com a imagem de São Cristóvão

Aquele que me protege e me guarda

Padroeiro nessa longa estrada

A quem peço e agradeço em oração

Igualmente à Virgem Maria

Tudo aquilo de que sou merecedor

E assim, guiado pela fé eu vou

Sentindo o vento da liberdade tocar o meu rosto

Agraciado pelas paisagens que são como pinturas

Que mudam de cores a cada amanhecer

E neste horizonte enxergo a esperança,

Levando sonhos além de lembranças

Nas costas o Brasil inteiro

De janeiro a janeiro, sem tempo para dor,

Fazendo frio ou calor

Sou pé ligeiro do agronegócio

Escoando todo suor da gente do campo

Para o conforto das grandes cidades

Mas, também faço o sentido inverso

Do asfalto eu trago progresso

De tudo faço chegar,

Levantando poeira na terra batida

Nesse chão que as vezes me atola

“Trieiro” que deixo no caminho

Para registrar o quão difícil foi

Alcançar o meu destino

Sem ter que me arriscar

E nesta labuta de caminhoneiro

Não há irmão que desista primeiro,

Mesmo quando o perigo costuma acenar,

Da satisfação que só faz sentido no final

Ao passar ileso de todo mal

Rodando por essas vias infernais

Recheadas de armadilhas,

Cheias de “pilões” para desviar

Das “costelas” que insistem me tirar da pista

Do piso de areia movediça que faz afundar,

Mas firme e forte continuo na estrada,

Cumprindo desafios em cada jornada,

“Patrolando” os demônios que me assolam

Desde os “botinas” mal intencionados

Aos “piratas” que me roubam o ganha pão,

As noitadas nos cabarés

“Abastecido” de mulheres, do tal “rebite” e da bebedeira

Nas curvas mais fechadas do prazer e da ilusão

E neste acesso de mão dupla levado pela tentação

Só bate de frente quem não segue a lição

Impressa nas placas do dia a dia

E eu, de tanto rodar por essas estradas,

Larguei a imprudência na última parada

No instante que a sabedoria comigo pegou carona,

Tomando de vez a direção.

E de lá pra cá,

Vejo frases em para-choques ganhando sentido,

Vozes do imaginário popular

Que me fazem refletir, sorrir e até lembrar

Das mais diversas situações rotineiras,

Da saudade do “cristal” que ficou em casa,

Das paixões que deixo em cada cidade,

Da tristeza e da felicidade que há

Em cada ligada de motor

Para cumprir mais um novo dia de trabalho.

Por essas estradas sigo cultivando amizades

Meus Irmãos nas trincheiras da vida

Dividindo arroz carreteiro e sonhos

“Bigode a bigode” nas prosas que me sustentam

Guincho que me puxa quando estou “pitimbado”

Me dando força para seguir adiante

E conhecer além do que as minhas vistas possam alcançar,

Por isso, sempre volto com mais que levei

Com a carroceria até vazia, mas a mente cheia do novo

Caminhoneiro sabedor de estórias,

Dos sotaques e dos sabores,

Da arte do povo de cada quinhão do Brasil.

E dessas experiências que carrego no dorso,

Como semente, faço brotar por onde passo

Para quando voltar, colher as flores.

E nessa rota que o destino fez para mim

Eu sou mais um aventureiro,

Rodando sem freio pelo infinito

Na vida que não me cobra “Frete”

Sendo a “Carga pesada” na televisão,

Imortal na canção do “Rei”,

Inspiração para música sertaneja,

A trilha sonora que me acompanha

Na tela do cinema protagonizo a ficção

Na vida real meu combustível é a paixão.

Corro pelas pistas mais velozes,

Levo água, salvo vidas, trago gente,

Sou um gigante na multidão.

Aquele que vai, mas um dia volta

Por conta da situação.

Diferente ou do mesmo jeitinho,

Na humildade que nunca se acaba,

Sou aquele com a mesma alegria de quando parti

Ao ouvir o meu coração…pelas estradas da vida!

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