Grupo Especial

A força do samba vai muito além dos cinco dias de folia na Sapucaí

19 de outubro de 2026 Revista Carnaval
A força do samba vai muito além dos cinco dias de folia na Sapucaí

O Carnaval Carioca exige uma compreensão profunda sobre o seu impacto social e cultural para não ser reduzido a um mero espetáculo passageiro. Em debate realizado no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, o carnavalesco da Imperatriz Leopoldinense, Leandro Vieira, defendeu que as escolas de samba atuam como verdadeiros polos culturais contínuos dentro das periferias. Ao lado de autoridades como a secretária de Articulação Federativa do Ministério da Cultura, Roberta Martins, e o secretário municipal de Cultura, Lucas Padilha, o artista enfatizou que o trabalho desenvolvido nos barracões, a criação literária dos sambas e as práticas corporais e musicais se estendem por quase dez meses, transformando as agremiações em territórios vivos de aquilombamento e preservação de memórias ancestrais onde muitas vezes não há outros equipamentos públicos de lazer e arte.

Para além dos aplausos na passarela, a sobrevivência e o fortalecimento dessa cadeia produtiva dependem do reconhecimento e de políticas públicas estruturadas de financiamento. Leandro Vieira destacou que os encontros promovidos fora da época dos desfiles são fundamentais para provocar gestores e dirigentes, criticando a visão puramente mercantilista que pauta a folia apenas pela lógica do lucro e do evento pontual. A discussão abordou ainda temas cruciais como acessibilidade e a preservação da memória das comunidades, reforçando que o samba é literatura, teatro e linguagem visual em constante movimento. A cultura popular não cabe em apenas cinco dias e precisa ser valorizada durante o ano inteiro.

Você também pode gostar