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Leandro Vieira e Mestre Chacon selam parceria sagrada para Dona Júlia na Imperatriz

14 de outubro de 2026 Revista Carnaval
Leandro Vieira e Mestre Chacon selam parceria sagrada para Dona Júlia na Imperatriz

A história de Dona Júlia ganhou guardião e carnavalesco. Quando Leandro Vieira ligou para Mestre Chacon, líder do Maracatu Nação Porto-Rico em Pernambuco, o babalorixá achou que se tratava de mais um pesquisador acadêmico curiosas sobre terreiro e Candomblé. Mas o carnavalesco da Imperatriz Leopoldinense veio com propósito bem definido: contar no maior espetáculo da Terra a saga da calunga que desapareceu durante 34 anos e retornou ao maracatu em 2014. Antes de qualquer arranjo, porém, os dois deixaram claro que só trabalhariam o tema com permissão do sagrado. Mestre Chacon jogou o Ifá, consultou o orixá, e Oxalufan autorizou. Estava aberto o caminho para transformar memória viva de religiões afro-brasileiras em espetáculo na Avenida.

A conexão entre o carnavalesco e o líder espiritual revelou-se surpreendentemente natural. Chacon destacou a sintonia fina na visão de mundo: enquanto ele guarda o sagrado, o profano e o brilho ficam a cargo de Leandro, mas ambos caminham no mesmo ritmo de respeito e autenticidade. A visita de Mestre Chacon ao barracão da Cidade do Samba o impressionou profundamente, espécie de templo mágico onde tudo se cria e nada se perde. Confirmou sua presença no desfile da Imperatriz para fevereiro de 2027, quando Dona Júlia vestirá o branco de Oxalá e levará todo o axé dos ancestrais pela Sapucaí. O que não pode faltar naquela noite é justamente ela, a calunga que volta ao mundo depois de tanto silêncio.

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