O chão da Mangueira é a alma do espetáculo no Palácio do Samba
A Estação Primeira de Mangueira transformou o seu terreiro em um verdadeiro palco de afirmação e ancestralidade ao apresentar a concepção do enredo focado nas manifestações de Oyá. Sob o comando de Fábio Batista, diretor artístico da agremiação, o espetáculo da final de samba-enredo elevou a estética da escola ao promover uma imersão poética que uniu dança, teatro e a força da comunidade verde e rosa. Em parceria estreita com o carnavalesco Sidnei França, a proposta ousou ao desconstruir visões estereotipadas da orixá e destacar o protagonismo feminino que move a verde e rosa no dia a dia. A ideia central foi ir além do rito religioso tradicional, mostrando a divindade como uma presença viva e pulsante no cotidiano da comunidade.
A grande conquista dessa montagem foi dar visibilidade e centralidade a quem realmente sustenta a agremiação ao longo do ano inteiro. Integrantes da velha guarda, passistas, baianas e componentes da harmonia dividiram os holofotes, fortalecendo a autoestimada da escola para os desafios que virão na Marquês de Sapucaí. Para o diretor, o trabalho integrado entre a pesquisa histórica e a linguagem cênica é o caminho ideal para que o enredo faça sentido de ponta a ponta e ganhe o coração do público. O show da final marcou apenas a abertura dessa jornada artística, que promete evoluir a cada ensaio e chegar energizada para o desfile oficial. O samba verdadeiro se faz com a força do povo que carrega a prateleira de glórias no peito.
