Série Ouro

O morro vai descer em nome do rei do partido-alto no Acari

27 de agosto de 2026 Revista Carnaval
O morro vai descer em nome do rei do partido-alto no Acari

A malandragem carioca e a voz dos invisíveis vão ecoar com força total no encerramento dos desfiles da Série Ouro. A União do Parque Acari definiu que o mestre Bezerra da Silva será o grande combustível de sua engrenagem para o Carnaval de 2027, celebrando o centenário de um dos maiores porta-vozes que a favela já teve. Com o enredo Se Não Fosse o Samba, o Que Seria da Favela, desenvolvido pela dupla de carnavalescos Rodrigo Marques e Guilherme Diniz, a agremiação promete transformar a passarela do samba em um verdadeiro reduto de resistência e partideiros.

A homenagem resgata a trajetória rica do pernambucano que adotou o Morro do Cantagalo como lar e fez do tamborim o seu primeiro passaporte na folia carioca. Bezerra da Silva construiu uma carreira sólida que começou na composição ao lado de Jackson do Pandeiro e explodiu quando ele assumiu o microfone para cantar a realidade nua e crua das periferias. Suas crônicas musicais, que incomodavam os setores mais conservadores da sociedade, ganham agora uma nova roupagem na busca da escola do Complexo do Acari e do Amarelinho pelo topo do pódio.

Depois de garantir a permanência no grupo de acesso com o décimo lugar no desfile sobre o Teatro Brasiliana, a agremiação agora se prepara para fechar com chave de ouro as apresentações de sábado de carnaval. O tributo ao eterno embaixador do morro, que faleceu em 2005 e já foi enredo no carnaval paulistano, promete ser o clamor popular que a escola precisa para emocionar o público e os jurados. Quando a sirene tocar, o Acari vai provar que a voz do povo é a verdadeira dona da festa.

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