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Tijuca despede-se da histórica quadra do Santo Cristo escolhendo seu samba 2027

10 de setembro de 2026 Revista Carnaval
Tijuca despede-se da histórica quadra do Santo Cristo escolhendo seu samba 2027

A Unidos da Tijuca vive um momento que mistura celebração e saudade. Na madrugada deste sábado para domingo, a escola azul e amarela escolherá seu samba-enredo para o Carnaval 2027 na quadra que a acolheu por três décadas e meia. É a última festa de escolha na Avenida Francisco Bicalho, no Santo Cristo, endereço que em breve se tornará apenas memória da agremiação.

Quatro sambas chegam à finalíssima para musicar a narrativa do carnavalesco Lucas Milato, inspirada no livro A Cabeça do Santo, da escritora cearense Socorro Acioli. A obra retrata a famosa estátua acéfala de Santo Antônio em Caridade, no Ceará, e promete levar à Sapucaí uma história tão intrigante quanto poética.

O que chama atenção nesta disputa é a diversidade que transborda dos nomes inscritos. Leandro Gaúcho, veterano que chega à sua sétima final na casa, divide espaço com Lico Monteiro, Diego Nicolau e o estreante Ian Ruas. Mas há algo ainda mais especial: o padre Felipe Calisto, pároco de 34 anos da cidade onde fica a estátua retratada, integra uma das parcerias. Arte e fé encontram-se numa mesma composição para a escola.

O presidente Fernando Horta explicou a decisão de levar quatro obras ao momento decisivo. Conforme disse, os compositores traduziram o enredo com tanto bom gosto, criatividade e emoção que ficou impossível escolher apenas um. A inovação reflete também um novo formato adotado este ano: sem torcidas organizadas em quadra, sem videoclipes e com estrutura de palco enxuta, buscando democratizar de verdade a disputa.

Os portões abrem às 21 horas com DJ Lipe do Borel animando, queima de fogos e show temático da diretora artística Flávia Leal antes das apresentações. Cada parceria tem 30 minutos de palco. A ordem sairá no sorteio da hora. Quem não conseguir chegar pode acompanhar ao vivo pelo canal da Rio Carnaval no YouTube a partir das 23h30.

Uma quadra que moldou histórias samba-enredistas sente o peso da despedida. Mas seus portões se abrem uma última vez para criar memória que ecoará muito além de janeiro.

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