11 de janeiro de 2026
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Viradouro em 2026: o ritmo vira imagem e a memória ganha pele

Tarcísio Zanon promete momentos grandes, cenas icônicas e um desfile que conta a história da escola enquanto a escola desfila

A Viradouro já vive 2026 como quem atravessa um corredor de emoção antes mesmo de pisar na Sapucaí. Há datas simbólicas no ar, há sensação de celebração interna, e há um enredo que parece olhar para dentro com a coragem de quem entende que, às vezes, a maior grandeza é contar a própria trajetória. No centro desse movimento está Ciça, homenageado e presença viva do processo, não como personagem distante, mas como guardião de memória, desses que carregam a história na voz, no gesto e na convivência diária.

Tarcísio Zanon fala desse Carnaval como um ano de forte conexão entre equipe, história e sentimento, e a palavra que se repete, mesmo quando não é dita, é pertencimento. Ciça aparece como “griô de fato”, presença constante no barracão, atravessando todas as etapas, acompanhando o nascimento da estética e o amadurecimento das escolhas. É como se o desfile fosse construído com alguém que não apenas inspira, mas participa, lembra, aponta caminhos e mantém acesa a chama do que a escola foi para orientar o que ela quer ser.

Na criação, a parceria com o enredista João Gustavo Melo vira alavanca de profundidade. A sensação é de bibliografia viva à mão, de memória acessível, de referências prontas para serem lapidadas em cena. E é exatamente nesse ponto que o desfile promete sua assinatura: unir nostalgia e modernidade, criar um “revival” contemporâneo que faça o público acompanhar a história de Ciça enquanto vê Ciça na Avenida, como se passado e presente se encarassem sem ruído.

A pergunta que atravessa o projeto é simples e desafiadora: como transformar ritmo em visual. A resposta vem do próprio homenageado, porque Ciça não é só música; é movimento. Ele traz no corpo a dança que o formou, começa como passista e leva coreografia para dentro da bateria, fazendo o ritmo ganhar imagem, gesto, cena. E é aí que nasce a promessa: grandes momentos, imagens marcantes, lembranças que já moram na cabeça do samba, agora reapresentadas com linguagem completamente moderna.

E por trás de tudo, um clima de escola que se organiza como família, onde se conversa de igual pra igual, se escuta e se constrói coletivo, como se a Viradouro estivesse preparando não apenas um desfile, mas uma afirmação: quando a gente fala de nós mesmos, a emoção não é acessório. É motor.