A Sapucaí ganha uma “superponte” para proteger o coração do ritmo
A superponte móvel chega ao segundo recuo e promete blindar a bateria para o Carnaval 2026
O Carnaval 2026 acerta o foco onde dói e onde decide: no espaço sagrado da bateria. A promessa da superponte móvel no segundo recuo nasce com um objetivo direto, quase cirúrgico: manter a pista de desfiles cada vez mais exclusiva para quem está trabalhando o espetáculo, garantindo que ritmistas e mestres defendam o quesito com tranquilidade, sem interferências de quem só quer atravessar a avenida.
A engenharia da ideia é simples e genial: durante o desfile, a ponte permanece aberta, sem atrapalhar o desempenho da escola, sem criar barreira visual e sem interromper o fluxo da apresentação. É nos intervalos que ela fecha, permitindo a passagem entre o lado par e o ímpar sem que ninguém precise “invadir” o trecho mais sensível do recuo. O efeito é de proteção silenciosa, como uma porta que só existe quando precisa existir.
A tecnologia não vem do nada. Ela replica um modelo que funcionou no primeiro recuo, quando a instalação de uma ponte semelhante foi fundamental para retirar da pista o vai-e-vem de pessoas que atravessavam o local e acabavam atrapalhando, mesmo sem intenção, o momento decisivo das baterias. Agora, essa lógica se amplia para preservar também o segundo recuo, como quem entende que ritmo exige concentração, leitura e espaço limpo para acontecer.
E há um cuidado importante: o posicionamento não interfere em áreas tradicionais como o Espaço Candonga e não compromete a visão do público, justamente porque a ponte fica aberta durante as apresentações. A estrutura impressiona pelo tamanho e pela preparação: são 49,5 metros de comprimento total, com 19 metros de abertura e 2 metros de corredor, produzida ao longo de cerca de quatro meses por uma equipe dedicada e já posicionada no local, com sistemas de backup para garantir o funcionamento mesmo em caso de falhas.
No fundo, é o Carnaval sinalizando maturidade operacional. Quando a avenida se organiza para proteger o recuo, ela protege o próprio espetáculo. Porque bateria é pulso, é assinatura, é julgamento. E, em 2026, o pulso quer bater sem obstáculos.

