9 de janeiro de 2026
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Mangueira mira 2026 com Sacaca no peito e 2028 no horizonte

Entre Amapá, ancestralidade e sonho de centenário, a Verde e Rosa transforma expectativa em promessa de Avenida

A Mangueira começa a desenhar o Carnaval 2026 com uma certeza bonita: há histórias do Brasil que ainda pedem palco, e a Sapucaí é um dos lugares mais poderosos para fazê-las viver. A comunidade se reuniu para conhecer o enredo que mergulha na trajetória do mestre Sacaca e no universo cultural do Amapá, e a reação foi imediata — não apenas pela novidade do tema, mas pela sensação de que a escola volta a tocar em profundidade, identidade e raiz.

Nas falas de quem vive a Mangueira por dentro, o enredo aparece como ponte: liga o Rio à Amazônia, aproxima o público de um território muitas vezes invisibilizado e coloca no centro saberes afroindígenas, ribeirinhos e afro-amazônicos como parte essencial da construção do país. Sacaca surge como símbolo desse conhecimento ancestral — curandeiro, fazedor de garrafadas, guardião de uma sabedoria que não cabe em resumo, mas cabe perfeitamente em samba quando a escola decide narrar com respeito.

O olhar para 2026 também vem carregado de continuidade. A presença e a permanência do carnavalesco Sidnei França são vistas como ganho: um artista que chegou de fora, mas demonstrou sensibilidade para entender a Mangueira por dentro, abrindo diálogo, aprendizado e uma troca que amplia o alcance do próprio Carnaval carioca. A sensação é de maturidade em construção: um segundo ano que promete revelar ainda mais camadas do trabalho.

E enquanto 2026 começa a ganhar corpo, 2028 já pulsa como coração acelerado. O centenário aparece no discurso como sonho coletivo, quase uma emoção antecipada: há quem queira ver a escola contando a própria história, há quem defenda uma exaltação às raízes e aos frutos, há quem deseje um desfile perfeito para disputar o título, há quem imagine homenagens e símbolos que traduzam resistência, representatividade e legado. O que une tudo é a mesma fome: fazer do centenário algo tão grande que ultrapasse a avenida e vire memória de cidade.

A Mangueira, no fim, se mostra assim: com um enredo que aponta para o Norte e um futuro que aponta para dentro. Em 2026, a escola promete conhecimento, emoção e identidade. Em 2028, ela promete história em estado puro.