17 de janeiro de 2026
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Setor 11, Terreiro de Sapucaí

A Tabajara do Samba confirma sua identidade musical e faz da integração com o carro de som o eixo de 2026

A Portela foi ao Setor 11 para reconhecer o chão como quem pede licença antes do rito. E, sob o comando de Mestre Vitinho, a Tabajara do Samba transformou o trecho final da Passarela em um grande ensaio de identidade: ritmo, andamento e arranjos pensados para conversar com a escola inteira, não apenas para brilhar sozinhos. Era a primeira vez de Vitinho à frente dos ritmistas da Águia naquele formato, e a sensação foi de responsabilidade assumida com seriedade e coração, como quem entende que bateria é ancestralidade e que, ali, cada toque também é celebração.

O ensaio teve cara de ajuste fino. Sem pressa de revelar tudo, mas com a clareza de quem já sabe onde quer chegar, a bateria “limpou” convenções, experimentou encaixes, calibrando a conversa com o carro de som e com a pista, como se o Setor 11 fosse mesmo o laboratório mais honesto para testar o que precisa estar pronto na hora decisiva. O desenho musical aparece com uma premissa bonita: nada de remendo, nada de efeito para disfarçar vazio. Tudo com intenção, tudo com lugar e, sobretudo, com o corpo do ritmista dançando junto do arranjo.

E quando se fala em 2026, a palavra que se impõe é felicidade. Vitinho apontou esse estado de espírito como trunfo: uma bateria alegre, interagindo, fazendo o público gritar, dançar e cantar. Há um momento que promete virar assinatura, aquele em que a bateria “para” e entrega o canto ao povo, fazendo a Sapucaí desabar na voz coletiva. A Portela mira esse tipo de comunhão: o som como convite, o silêncio como palco para o canto, a coreografia do arranjo como ponte entre pista e arquibancada.

A noite também foi um ensaio de conjunto. Não foi só bateria: houve passistas, cobertura do recuo e presença de liderança, como quem entende que ritmo e som organizam o desfile inteiro. A leitura é direta: se a bateria e o carro de som se comportam bem em todas as circunstâncias do samba, toda a escola se alinha. E, no centro disso, o hino de 2026 vai sendo assumido como pertencimento real, deixando de ser “dos autores” para virar do portelense, cantado com alma, emoção e garra, dentro de um arco de crescimento que mira o domingo de Carnaval como ápice.

Zé Paulo, presente, reforçou o valor desse treino para a bateria e para o canto, lembrando que nem sempre o som disponível comporta o tamanho da Tabajara, mas que, ainda assim, o andamento e o rendimento do samba se mantiveram. E, por trás do trabalho, existe uma história de parceria desejada, construída com afeto e entendimento musical, que dá ao conjunto um brilho silencioso: quando bateria e carro de som se respeitam, a escola inteira respira melhor. No Setor 11, a Portela não apenas ensaiou. Ela se reconheceu.