A Noite das Campeãs, Quando a Sapucaí Vira Despedida e Recomeço
Seis escolas, uma última travessia e o Rio inteiro assistindo ao Carnaval se recusar a acabar
No sábado, 21 de fevereiro de 2026, a Marquês de Sapucaí volta a acender como se ainda fosse domingo de desfile. A partir das 20h, o Desfile das Campeãs reúne as seis primeiras colocadas do Grupo Especial e transforma a última noite oficial do Carnaval em uma espécie de epílogo grandioso: menos disputa, mais celebração; menos tensão, mais memória. É o momento em que a Avenida muda de temperatura, porque quem retorna já volta coroado pelo próprio desempenho, com a confiança de quem sabe exatamente o que fez e o que deixou no asfalto.
A ordem da noite começa com a Mangueira abrindo os trabalhos, seguida pela Imperatriz, depois o Salgueiro, a Vila Isabel, a Beija-Flor de Nilópolis e, por fim, a Viradouro encerrando a jornada como campeã. E há algo de simbólico nesse fechamento: a escola que terminou o campeonato no topo é também a última a dizer “boa noite” para o Sambódromo, como se segurasse a chave da porta até o último segundo, só para garantir que ninguém vá embora antes da hora.
O que se vê nessa noite não é repetição, é reapresentação. É o desfile com o peso de quem já foi julgado e, por isso mesmo, pode desfilar mais solto, mais luminoso, mais inteiro. O público entende rápido: não se trata apenas de rever alegorias e fantasias, mas de reviver sensações, de reencontrar refrões que grudaram na pele, de ouvir a bateria de perto e perceber que certos detalhes só aparecem quando a escola desfila sem o relógio apertando o peito. O Desfile das Campeãs é a despedida que vira festa, é o “até logo” que soa como promessa.
Para quem vai assistir de casa, a noite tem transmissão ao vivo no Multishow e no Globoplay, acompanhando esse rito que atravessa a madrugada de domingo, 22 de fevereiro, com a cidade acordada de um jeito diferente: como se o Carnaval, teimoso e elegante, insistisse em ficar mais um pouco.

