3 de julho de 2026
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Império da Penha estreia no Carnaval 2027 com o enredo “Pilão”

Em sua estreia no carnaval carioca, o Império da Penha, que desfilará pelo Grupo de Avaliação na Intendente Magalhães em 2027, terá como enredo “Pilão”, desenvolvido pelo carnavalesco Davi Gbanna. A ideia do tema é exaltar esse objeto símbolo de resistência, coletividade e identidade cultural do povo brasileiro.

Muito antes de ocupar cozinhas, terreiros, aldeias e quintais do Brasil, o pilão já ecoava como instrumento sagrado em diversas civilizações africanas. Seu surgimento possui forte ligação com os Orixás, divindades da tradição iorubá que vieram de além-mar guiando seus filhos para um novo destino.

Atravessando tempos, crenças e saberes populares, o pilão também é aquele que embala cantos, danças e celebrações coletivas. Seu som marca o compasso da resistência de um povo que, no “socar do pilão”, assinou sua identidade na história.

A sinopse do enredo

Tudo começa na África. É no coração e das mãos do povo negro que partimos para a evolução do mundo, e é na mesma África que surge Oxaguiã, jovem guerreiro do panteão iorubá, senhor da coragem e da paz.

Contam as lendas que Oxaguiã recebeu o pilão das mãos de Ogum, poderoso orixá da forja sagrada. Entre as invenções de Ogum estava o pilão, ofertado a Oxaguiã, apreciador do inhame — alimento cujo preparo exigia grande esforço. Com o novo instrumento, o trabalho tornou-se mais simples e eficiente.

Oxaguiã então entregou o pilão ao povo de Elegibô, seu reino, cuja sobrevivência dependia da colheita do inhame. Assim, o instrumento desceu à Terra como herança sagrada, destinado a alimentar corpos e fortalecer espíritos.

Atravessando o Atlântico, o pilão desembarca em terras tupiniquins e integra profundamente a cultura colonial e rural. Nas senzalas, nas cozinhas das sinhás e nos terreiros das fazendas, trabalhou lado a lado com aqueles que o trouxeram. Madeira de lei, símbolo de resistência.

Nas mãos dos pretos-velhos e das rezadeiras, o pilão resgata sua missão divinizada: macera ervas para banhos sagrados e fortalece tradições transmitidas pela ancestralidade. Nas aldeias indígenas, também escreve sua própria história.

Chegamos ao terreiro de candomblé, onde o pilão ocupa lugar de destaque nos altares e pejis. É ao redor dele que, após os ritos das Águas de Oxalá, celebra-se a Festa dos Inhames Novos, o Pilão de Oxalá.

Das terras africanas às festas populares brasileiras, o pilão resiste ao tempo e se torna patrimônio afetivo do Brasil — presente na culinária, nos sambas de roda, nos jongos e nos batuques. Por sua importância, o Império da Penha canta o Pilão como símbolo de união entre África e Brasil, entre tradição e futuro, entre o sagrado e o popular.

“Quando o pilão bate, o povo canta. Quando o povo canta, a memória vive. E no terreiro que é a avenida, o samba celebrará a força ancestral que transformou dor em cultura, alimento em resistência e tradição em eternidade.”

Ficha

Texto e pesquisa: Davi Gbanna. Texto: Nathan Souza.