Peruche ressuscita clássico de 1988 e apela à ancestralidade
Quando a história bate à porta, a gente abre com os dois braços. A Unidos do Peruche escolheu mergulhar nas águas profundas de seu passado para encontrar força no presente. O enredo escolhido para 2027 é nada menos que um dos maiores sucessos da escola, aquele samba que ecoou nos ouvidos cariocas em 1988, no ano em que o Brasil todo pulsava ao ritmo da Abolição centenária. Filhos de Mãe Preta volta ao Sambódromo carregando todo o peso sagrado daquele momento e toda a esperança de quem precisa se recuperar.
Maurílio Silva, novo presidente da agremiação, explicou que a escolha não foi acaso. É o enredo que melhor representa onde a escola está agora, aquele abraço ancestral que reúne gerações em torno de uma única verdade: todos somos filhos de uma Mãe Preta. Lá em 1988, quando a escola desfilou em penúltima posição, a temática ecoou como um grito de resistência que rendeu a quinta colocação e 190 pontos de lembrança eterna. Jamelão e Eliane de Lima foram as vozes que carregaram essa mensagem, dois nomes que fizeram história no samba carioca.
Mauro Xuxa assume o comando da criação visual após dois carnavais fora da escola, trazendo consigo a responsabilidade de reinventar um clássico sem destruir sua essência. A Peruche desfila no sábado, 30 de janeiro, no Sambódromo do Anhembi, como terceira escola do Grupo de Acesso 2. Depois de um 2024 tenso, quando ficou a apenas dois décimos de cair para a segunda divisão, a escola aposta naquilo que nunca falha: a força dos ancestrais e a verdade do samba que ecoa no peito.

