Pérola Negra volta ao Anhembi com Jovelina como protagonista de seu retorno
A Pérola Negra finalmente encontrou sua história no Sambódromo do Anhembi. Depois de sete anos longe do Grupo Especial, a escola da Vila Madalena volta às grandes noites com um enredo que não poderia ser mais pessoal: uma celebração a Jovelina Pérola Negra, a cantora cujo apelido inspirou o próprio nome da agremiação.
“Sem Vacilar, Sem Me Exibir… Sou Jovelina, a Pérola Negra” é o título que o carnavalesco André Machado escolheu para 2027, em seu segundo carnaval na escola. A homenagem traz à avenida a história de uma mulher que revolucionou o universo do samba carioca, quebrando barreiras em um espaço dominado por homens e deixando um legado que ecoa até hoje nas rodas de pagode pelo país inteiro.
Jovelina Farias Belfort nasceu em Botafogo no dia 21 de julho de 1944. Antes de se tornar uma voz icônica, trabalhou como empregada doméstica e participava das rodas de samba da Zona Norte e da Baixada Fluminense. Foi justamente em uma dessas rodas que as oportunidades de palco surgiram, e sua voz potente rapidamente a destacou entre os seus.
O pagode carioca que cresceu no Cacique de Ramos era quase exclusivamente masculino, alimentando artistas como Zeca Pagodinho, Jorge Aragão, Almir Guineto e tantos outros. Jovelina abriu caminho diferente. Em 1985, o disco coletivo Raça Brasileira marcou seu debut ao lado de Zeca Pagodinho, Pedrinho da Flor, Mauro Diniz e Elaine Machado. Ambos lançaram seus primeiros discos solo já no ano seguinte, consolidando suas trajetórias independentes.
Sua carreira durou apenas doze anos, mas deixou marcas profundas. Sambas como “Feirinha da Pavuna”, “Bagaço da Laranja”, “Luz do Repente” e “Sorriso Aberto” continuam sendo cantados nas rodas espalhadas pelo Brasil, muitas vezes desconhecidas as novas gerações de quem foi aquela voz singular que os criou. Jovelina também integrou a ala das baianas do Império Serrano, sua escola de samba do coração. O apelido que a eternizou, Pérola Negra, representava exatamente aquilo: a raridade e o brilho incomum de suas origens, a força que irradiava de cada nota.
Em 1998, aos 54 anos, Jovelina partiu vítima de um infarto enquanto dormia em sua casa no bairro do Pechinha em Jacarepaguá. Seu nome, porém, permaneceu vivo. E agora, quase trinta anos depois, a Pérola Negra abre os desfiles do Grupo Especial paulistano trazendo Jovelina de volta ao centro das atenções, onde ela sempre mereceu estar.
No último carnaval, a escola foi vice-campeã do Grupo de Acesso I com enredo sobre Maria Bonita, conquistando 269,4 pontos e empatando com a terceira colocada Mancha Verde. Agora volta maior, pronta para fazer o Anhembi pulsar ao ritmo de uma trajetória que é patrimônio do samba brasileiro.

