Mangueira abraça Oyá em desfile quente e combativo rumo ao centenário
A Mangueira preparou um desfile para sentir antes de entender. Assim define Sidnei França, carnavalesco da Estação Primeira, o projeto que levará a escola para a Marquês de Sapucaí no próximo ano com Oyá como protagonista absoluta. Em conversa detalhada sobre os bastidores da criação, o carnavalesco revelou que a proposta é entregar a escola em alta temperatura, com um enredo potente e aguerrido que faça justiça ao histórico feminino e combativo da Mangueira. Oyá será apresentada primeiro como elemento da natureza, força bruta dos ventos e tempestades, para depois se revelar como arquétipo e estrutura humana. Sidnei orientou os compositores a trabalharem a divindade a partir da perspectiva nagô-iorubá, sem abordar sincretismos religiosos, garantindo que a orixá permaneça como centro da narrativa do samba-enredo.
Os seis movimentos do enredo exploram desde as metamorfoses de Iansã como estratégias de sobrevivência, passando por seus amores e guerras, pelos casamentos que a tornaram tão poderosa quanto Xangô, até chegar ao terreiro e ao poder único da orixá sobre o trânsito entre os mundos dos vivos e dos mortos. O encerramento é contemporâneo e coletivo, trazendo a mulher que segue à luta diária e a própria Mangueira como continuidade dessa força ancestral. Para Sidnei, entregar Oyá à escola em seu pré-centenário é respeitar o que a Mangueira se tornou ao longo de cem anos, uma instituição que não é a mesma e jamais deveria ser.

