Botafogo Samba Clube grita BASTA contra a violência de gênero em 2027
Quando a Botafogo Samba Clube desfila na Avenida em 2027, carregará nas alas a história que ninguém conseguiu silenciar: a luta das mulheres contra um sistema que as ensinou a servir, obedecer e sofrer em silêncio. Do patriarcado grego que filosofava sobre a inferioridade feminina até o colonialismo brutal que escravizou indígenas e africanas, passando pelas heroínas que fugiram do roteiro imposto, como Dandara dos Palmares e Clara Camarão, o enredo tece uma narrativa que recusa romantizar a violência. Nísia Floresta com sua pena, o Jornal das Senhoras com suas páginas ousadas, mulheres que votaram, estudaram e se divorciaram construíram tijolos por tijolos uma cidadania que não veio de presente, mas de luta incansável. Cada conquista, da Constituição de 1988 ao Lobby do Batom que ressignificou seu próprio insulto, prova que direitos não se concedem, se arrancam das mãos de quem quer mantê-las presas.
A Botafogo samba que a violência contra a mulher não nasceu do nada, mas de uma ideia, um sistema, uma sociedade que decidiu que algumas vidas valem menos. Maria da Penha transformou sua própria dor em proteção para milhões, a Lei do Feminicídio nomeou a morte de mulheres por ser mulher, e as mulheres negras seguem como maiores vítimas desse crime que ainda ecoa nas ruas. O carnaval não é palco de fantasia aqui, é grito de resistência. O lilás do Agosto Lilás e o laranja do Dia Laranja vestem a avenida de consciência. Porque contar essa história é impedir que ela se repita, é afirmar que nenhuma mulher nasceu para viver com medo, é dizer que enquanto houver uma única vida ameaçada, a luta continua vibrando nas vozes das que vieram antes e nas que ainda virão.

