13 de janeiro de 2026
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A Baiana Como Assinatura de Eternidade

No aniversário de Rosa Magalhães, o Salgueiro revela uma fantasia que costura tradição, memória e futuro na mesma saia

O Salgueiro escolheu um gesto que fala alto sem precisar levantar a voz: abrir os caminhos de 2026 pela ala das baianas. Não é apenas uma primeira fantasia divulgada, é uma tomada de posição estética e afetiva. A baiana, símbolo máximo da tradição das escolas de samba, aparece como centro de uma homenagem que não pretende ser apenas lembrança, mas presença. E a escolha da data o aniversário de Rosa Magalhães dá a esse anúncio um peso de reverência, como se o tempo parasse um instante para que o carnaval olhasse de frente para quem ajudou a moldar sua beleza.

A fantasia apresentada carrega uma emoção particular por nascer de uma releitura. O desenho original vem de 1990, do histórico “Sou Amigo do Rei”, quando Rosa mergulhou no universo das cortes e fez do luxo um idioma de rua. Agora, o traço retorna atualizado por texturas contemporâneas, tecidos tecnológicos e recursos visuais do nosso tempo, sem quebrar a essência do desenho que o Salgueiro reconhece como herança. É como se a escola dissesse que modernidade, quando sabe de onde veio, não apaga: ilumina.

Há, por trás dessa escolha, uma verdade conhecida por quem vive o carnaval por dentro: Rosa tinha um carinho especial por suas baianas. E isso não era detalhe. Era fundamento. O olhar dela para esse segmento reunia respeito ao sagrado, apuro de corte, cuidado de composição e um entendimento profundo do que a baiana representa na avenida. A escola faz questão de evidenciar isso ao colocar a ala como peça central da homenagem, como quem entrega ao público um símbolo e, ao mesmo tempo, um recado: a tradição não é um adorno, é a coluna.

O gesto se completa quando a fantasia ganha corpo em quem a veste. Tia Glorinha, presidente da ala das baianas, foi a escolhida para apresentar a releitura. E o momento se torna ainda mais tocante porque ela mesma desfilou com a versão original em 1990. Vestir novamente aquela memória, agora recriada, é atravessar décadas sem perder o coração. A emoção que aparece não é encenação; é história que volta a respirar. A roupa deixa de ser roupa e vira tempo, vira reencontro, vira um abraço em forma de tecido.

No fim, a revelação da fantasia funciona como uma abertura simbólica: o Salgueiro não apresenta apenas um figurino, oferece sua ala de baianas à comunidade e à própria Rosa, como se reafirmasse que a professora segue ali, guiando a estética, inspirando a mão, atravessando a avenida. É um anúncio que tem perfume de ritual: começar pelo que é sagrado para dizer que 2026 já nasce com memória e com alma.