Viradouro, a Quarta Estrela e o Dia em que Niterói Virou Marquês de Sapucaí
Uma apuração no fio do décimo, uma homenagem em vida e um Furacão vermelho e branco que soprou mais alto do que o resto do Rio
A quarta-feira de cinzas de 18 de fevereiro de 2026 ganhou um brilho raro: não foi só o fim do Carnaval, foi o instante em que a Viradouro transformou tensão em destino. Na Cidade do Samba, a cada nota anunciada, o silêncio parecia ter som — e o som era de coração batendo junto, comunidade inteira respirando no mesmo compasso. Quando o resultado se fechou, ficou escrito no alto do pavilhão: a Unidos do Viradouro é campeã do Grupo Especial do Rio de Janeiro, com 270,0 pontos, numa disputa apertada, direta, sem folga, com a Beija-Flor colada no retrovisor com 269,9. Era o tipo de vitória que não chega fazendo barulho de fogos; ela chega primeiro como um nó na garganta, e só depois vira grito.
O título veio com a força de um desfile que não pediu licença para emocionar. A escola de Niterói foi para a Avenida com uma homenagem em vida — e isso muda tudo. O enredo “Pra Cima, Ciça” foi mais do que tema: foi declaração de amor ao mestre, ao ofício, ao detalhe que só quem vive bateria sabe explicar. Ciça, referência absoluta, virou centro de gravidade de uma história contada com corpo, suor, paradinha e fé na cadência. É o Carnaval lembrando que grandeza também é reverência, e que certas lendas não precisam esperar o tempo passar para serem celebradas.
A quarta estrela não é só número; é memória acumulada. É a Viradouro confirmando que sabe vencer sem perder a alma, que sabe competir sem deixar a emoção no camarim. E é também a confirmação de uma escola que, quando decide atravessar a Sapucaí, atravessa como quem atravessa o mundo: com comunidade, com canto, com verdade. A vitória de 2026 não apaga os outros Carnavais — ela acende mais um capítulo, do jeito que a Viradouro gosta: intenso, arrebatador, vermelho e branco até a última batida.
Agora, o Rio se prepara para rever essa história no Desfile das Campeãs, no sábado, 21 de fevereiro de 2026. Porque quando a Viradouro ganha, não é só o troféu que volta para Niterói. Volta também uma sensação difícil de explicar — aquela certeza de que o Carnaval, às vezes, escolhe um nome para representar tudo o que ele tem de mais vivo.

















