‘Você não se torna griô, você nasce griô’: Viradouro desvela as raízes do enredo que busca o bicampeonato
“Você não se torna griô, você nasce griô.” A frase do enredista João Gustavo Melo resume o que a Unidos do Viradouro quer dizer com o enredo “Griô” para o Carnaval 2027 — e também explica por que ele é mais complexo do que o título de uma palavra pode sugerir.
Guga Melo detalha que o enredo parte do mito de Kwaku Ananse, a aranha trickster da tradição oral africana, figura que aparece em diferentes formas nas culturas da África Ocidental e que personifica a sabedoria transmitida pela oralidade. É ela que conecta o desfile com a tradição dos griôs e, em última instância, com as próprias escolas de samba — herdeiras contemporâneas de uma memória que nunca foi escrita, apenas cantada, dançada e passada de geração em geração.
O trabalho da Viradouro em 2027 é metalinguístico: ao falar dos guardiões da memória oral africana, a escola fala de si mesma. É a atual campeã olhando para sua própria natureza — e encontrando, nessa reflexão, o argumento para buscar o bicampeonato.

