28 de junho de 2026
Carnaval 2027Grupo especial

Enredistas do Tuiuti defendem vínculo com a comunidade para o Carnaval 2027

Tem escola que lança o samba e pronto. A comunidade aprende como der. Não é o caso do Tuiuti.

Durante o “Samba Enrena”, realizado no Renascença Clube, no Andaraí, os enredistas Josyane Almeida e Claudio Russo deixaram claro que o vínculo entre os componentes e o enredo não é detalhe — é o que faz a diferença na Avenida.

“O carnaval é muito diferente do que era há vinte anos. Um dos pontos principais é que o carnaval, que antes era uma cultura hegemônica, passou a ser uma cultura de gueto. Então a gente tem que fortalecer o gueto”, afirmou Claudio Russo.

Russo lembra que hoje cada escola desfila com cerca de três mil componentes que vão por livre e espontânea vontade. Se eles não se identificarem com o enredo, o desfile perde força. Por isso, o Tuiuti adotou uma prática que vai além do ensaio: uma apresentação didática na quadra, onde os enredistas explicam cada frase, cada personagem, a importância de cada elemento da história.

Para 2027, quando a escola levará Tia Ciata para a Sapucaí, a dinâmica se repete. “Acredito que a grande maioria ali não sabia da importância da Tia Ciata. Com esse ato tão humilde e tão grandioso deles, sentando, explicando e tendo paciência, conseguem transmitir esse conhecimento”, disse Josyane.

A enredista vai além: “Diversas vezes vimos componentes dando entrevistas sem conseguir explicar o que estavam cantando ou qual era o enredo. Acho que o Tuiuti vem fazendo isso hoje, e todas as escolas deveriam fazer.”

Sambas como “Lonã Ifá Lukumi” e “Quem tem medo de Xica Manicongo?” não viraram hit da noite para o dia. São fruto desse trabalho paciente de imersão comunitária que o Tuiuti construiu ao longo dos anos. Para o Carnaval 2027, com Tia Ciata na Sapucaí, a aposta é a mesma: comunidade que conhece, desfila melhor.