3 de fevereiro de 2026
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Tuiuti: Quilombo Que Ecoa na Avenida

Nas vozes dos seus próprios componentes, a Paraíso do Tuiuti afirma sua identidade como Quilombo do Samba e mostra força cultural para o Carnaval 2026

Na concentração para o ensaio técnico da Paraíso do Tuiuti, a escola ouviu suas próprias vozes falar mais alto do que qualquer anúncio. O lema que a escola carrega — “O Quilombo do Samba” — ganhou corpo na fala de quem faz o desfile: desfilantes comuns, que representam o coração da agremiação, e que veem no samba uma afirmação cultural, histórica e emocional muito além do espetáculo.

Para músicos e componentes, o conceito de quilombo ultrapassa qualquer limite geográfico ou literal. Eles lembram que o termo sempre foi sinônimo de resistência, de encontro e de cultura preta viva, e que isso se manifesta em qualquer lugar onde a tradição negra se mantém forte. A ideia de que “às vezes muda o nome, mas continua quilombo” foi repetida com convicção, mostrando que o Tuiuti entende sua missão como continuidade cultural — não apenas como enredo, mas como prática.

Ao falar sobre o enredo que a escola levará para a Sapucaí — uma viagem ao universo do Ifá, uma tradição espiritual cubana — muitos componentes destacaram que há algo pedagógico em cantar e desfilar aquilo que se vive na ancestralidade. A crítica inicial que alguns fizeram à obra foi superada quando as palavras ganharam significado no ouvido da comunidade: a emoção e o entendimento coletivo tiveram papel decisivo para converter ressentimento em aceitação e força.

O peso do tema também se reflete no comportamento da escola como um todo. Segundo os próprios desfilantes, a Tuiuti não trata a negritude apenas como discurso de enredo: ela cultiva essa identidade no cotidiano, com grande número de componentes pretos em segmentos essenciais da escola e um trabalho aberto ao reconhecimento dos ancestrais. Figuras emergentes da comunidade — como jovens destacadas em ala, ou lideranças locais — são citadas como símbolos vivos dessa presença contínua.

E quando o samba sobe aos tambores, a sensação mudada de entendimento toma conta: a letra que fala de resistência, ancestralidade e festa é entoada com mais do que frequência, é entoada com pertencimento. E isso transforma a Sapucaí num espaço onde a escola não apenas desfila, mas reafirma uma cultura que vive, respira e se expande no canto de seu povo.