11 de fevereiro de 2026
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Ritual, Ancestralidade e Movimento

A comissão de frente da Vila Isabel propõe uma abertura que é convite à memória, ao corpo e à filosofia do samba

A Vila Isabel chega ao Carnaval 2026 com uma comissão de frente que não se limita a abrir o desfile: ela assume um papel de narrativa, de rito e de representação estética e simbólica do enredo da escola. O tema Macumbembê, Samborembá — Sonhei que um sambista sonhou a África busca fazer um diálogo profundo entre o samba, a cultura afro-brasileira e o cotidiano carioca, entendendo que o samba e a macumba não são opostos, mas expressões que se entrelaçam na experiência ancestral e popular.

Os responsáveis pela coreografia são Alex Neoral e Márcio Jahú, que trazem uma trajetória longa na dança e agora assumem uma liberdade criativa ampliada para expressar seu olhar sobre a ancestralidade em diálogo com a proposta da escola. A comissão, assim, funciona como uma extensão da identidade artística deles, integrando movimentos que evocam tradição e ritual à ocupação da pista de maneira circular, sensível a todos os lados do sambódromo.

Uma das inovações nesse quesito é a utilização de uma cabine espelhada, que reforça a ideia de espetáculo circular, projetado para ser visto em 360 graus. Isso responde a uma leitura estética em que o corpo da comissão de frente — e seu significado — precisa ser visível não apenas de um ângulo frontal, mas por toda a extensão da plateia e das arquibancadas. A proposta rompe com a lógica hierárquica comum e aposta em igualdade de visão, em que todos os lados têm valor.

O resultado é a promessa de uma apresentação que traz ancestralidade e identidade como eixo central, traduzindo em movimento a relação entre arte, povo e história que a Vila Isabel pretende levar para a avenida.