Império Serrano ressurge com arte e luta pela democracia aos 80 anos
O Império Serrano chega aos seus 80 anos fazendo o que sempre soube fazer melhor: colocar política e resistência no coração do carnaval. Para 2027, a escola de Madureira prepara um desfile que transita entre a memória de sua própria luta contra a censura durante a Ditadura Militar e a trajetória do artista plástico Hélio Oiticica, criador da emblemática bandeira-poema que batiza o enredo. O carnavalesco Renato Esteves, ao lado dos enredistas Emanuelle Rosa e Jorge Sant’Anna, constrói uma narrativa que traz Cinema Novo, Teatro Experimental do Negro, Lygia Clark e Ferreira Gullar para a Sapucaí como manifestações de uma contracultura que nunca parou de existir. Neste ano, a frase revolução aparece inteira no título, resgatando como homenagem aquele 1969 memorável quando a censura obrigou a palavra a virar evolução.
O desafio que move a criatividade da escola é transformar esse acervo artístico denso em linguagem visual que comunique sem didatismo. Esteves explica que a intenção não é fazer cartazes ou passeatas na avenida, mas deixar que o próprio desfile de escola de samba seja a passeata, que a arte plástica, a poesia e o teatro felem por si. A contracultura, movimento que nasceu dos estudantes e dos artistas, permite ao Império expressar seu posicionamento político através da beleza. Aos 80 anos, o Reizinho confirma seu DNA: continua gritando que é livre e que a luta pelas liberdades nunca termina.

