Ancestralidade que guia a Mangueira: a comissão de frente que pulsa história e identidade
Quando a ancestralidade toma forma na Avenida e ressoa como energia viva
Na Cidade do Samba, sob o céu intenso das expectativas para o Carnaval de 2026, a Estação Primeira de Mangueira apresentou um vislumbre do que será a sua comissão de frente, um espetáculo que não apenas encanta os olhos, mas que ecoa raízes profundas. O enredo escolhido pela verde e rosa é uma celebração à figura de mestre Sacaca, curandeiro amapaense cujas tradições reverberam pela comunidade, e é esse espírito ancestral que orienta a narrativa coreográfica construída pela escola.
No coração desse espetáculo está a figura do Preto Velho, encarnada por Flávio Lopes, cujo corpo e gestual carregam uma história pessoal de reverência e respeito pela tradição familiar. A interpretação transcende a performance: é um ponte viva entre o passado e o presente, carregada de emoção e significado. A presença dele na comissão encarna um respeito profundo pela ancestralidade que a escola escolheu exaltar, uma ancestralidade que não é apenas temática, mas pulsante e simbólica.
Os coreógrafos responsáveis pelo trabalho, Lucas Maciel e Karina Dias, têm guiado o processo como se fosse uma construção de memória coletiva. Para eles, os ensaios, o minidesfile e o próximo desfile oficial são etapas de uma pirâmide criativa que converge para a Sapucaí, onde cada gesto, cada movimento e cada troca de lugar na falange coreográfica contribuem para contar uma história que é maior que a soma de seus elementos.
Essa comissão de frente não nasce apenas como apresentação de técnica ou espetáculo visual; ela é um manifesto de identidade. Entre bastões e corpo em movimento, o que se revela é uma narrativa de ancestralidade que abraça a comunidade e ecoa além da Avenida, convidando todos a sentir e reconhecer as forças que moldam nosso imaginário coletivo.

