13 de janeiro de 2026
Carnaval 2026DestaqueGrupo especialHot news

Avassaladora, Leopoldina

Em Ramos, a Imperatriz transforma a Euclides Faria em palco de felicidade, canto forte e evolução solta

A primeira vez da Imperatriz na Euclides Faria em 2026 teve gosto de reencontro com a própria essência: aquela força que não pede licença, que chega ocupando a rua com alegria evidente e um canto que vem de dentro. A comunidade apareceu com presença marcante e a escola atravessou Ramos com um tipo de leveza que só quem está confiante consegue sustentar: evolução correta, solta, sem rigidez, mas com direção. Tudo parecia conectado por um mesmo impulso, como se cada componente tivesse entendido que o ensaio não era só treino — era afirmação.

No centro da proposta, o enredo de homenagem a Ney Matogrosso se deixou sentir não apenas na letra, mas na atitude da escola. A comissão de frente, sob comando de Patrick Carvalho, trouxe a imagem do homenageado como eixo da cena, com um bailarino central e um entorno que reforça gestos e traços de presença, misturando sincronia e teatralidade para que a representação não seja só estética, mas linguagem. É o tipo de apresentação que ganha consistência na repetição, porque a escola vai incorporando o sentido e, com isso, a coreografia parece cada vez mais segura diante do olhar mais duro.

O casal de mestre-sala e porta-bandeira também imprimiu clima de gala, com uma dança que equilibra liberdade e tradição, alternando momentos mais soltos e a elegância clássica dos giros e do cortejo. A força está na conexão: quando os dois se aproximam para apresentar o pavilhão, a cena se fecha como um quadro, e a escola sente. É um trabalho que não depende de exagero para impor autoridade — ele se sustenta no entendimento mútuo, no tempo certo do corpo e no respeito ao símbolo.

A musicalidade, porém, foi o motor mais constante do ensaio. No carro de som, Pitty de Menezes conduziu com segurança e prazer evidente pela obra, e a ala musical empurrou o samba sem queda de energia. O resultado apareceu na rua como um coro coletivo que não se intimida: a comunidade cantou forte do início ao fim, com empolgação, como quem abraçou o hino e decidiu que ele vai ecoar em qualquer posição da escola. E quando o canto está assim, o conjunto ganha outra densidade: o ensaio vira celebração.

Na evolução, a Imperatriz foi aquilo que sempre promete quando está inteira: avassaladora. A Euclides Faria foi tomada por alegria e animação, com a comunidade dançando com irreverência e liberdade, do jeito que a proposta pede. Alas coreografadas passaram com potência, e os segmentos, no geral, se mantiveram dentro do tempo com firmeza. A leitura interna do momento é de plenitude e, ao mesmo tempo, de disciplina: a escola vive felicidade, mas trabalha com método, lapidando pontos sem perder o que há de mais valioso — a sinergia. Até mesmo nos detalhes finais, a bateria apareceu como assinatura: a Swing da Leopoldina testou bossas e coreografias sob o comando de Mestre Lolo, reforçando que a rua já é laboratório do espetáculo que vem.