11 de fevereiro de 2026
Carnaval 2026DestaqueGrupo especialHot news

O Bembé Que Ecoa Na Sapucaí

Na Marquês de Sapucaí, a Beija-Flor fez um ensaio técnico potente, carregado de ancestralidade, canto coletivo e um recado claro: o bicampeonato está na mira

No dia 2 de fevereiro de 2026, a Beija-Flor de Nilópolis entrou na avenida como se fosse rito. O ensaio técnico aconteceu no Dia de Iemanjá, e a escola não deixou de lado o caráter religioso dessa data: abriu sua passagem saudando a orixá-rainha do mar e levando sua presença como primeiro gesto diante do público. Esse aceno precoce foi o tom do que viria a seguir — um trabalho que uniu força, ancestralidade e muito samba até o fim da apresentação.

Com o enredo Bembé — inspirado no maior candomblé de rua do Brasil, realizado em Santo Amaro, na Bahia — a Azul e Branca transformou a Sapucaí em espaço de afirmação e rito coletivo. A comissão de frente, assinada pelos coreógrafos Jorge Teixeira e Saulo Finelon, mostrou sincronia impecável e movimentos que ganharam impacto pela força e precisão dos 15 bailarinos, ocupando a pista com autoridade e clareza de leitura.

O casal de mestre-sala e porta-bandeira, Claudinho e Selminha Sorriso, trouxe para a avenida sua já clássica segurança. Vestida como Iemanjá, Selminha celebrou a orixá em movimentos ritualísticos durante a parte do samba que evoca a Rainha do Mar, enquanto Claudinho conduziu com respeito e técnica, equilibrando tradição e entrega emocional.

No canto, a comunidade reafirmou um dos maiores trunfos da Beija-Flor: o chão. O samba foi cantado do começo ao fim, com harmonia uníssona e intensidade. O ponto alto foi o paradão, quando a escola sustentou o canto apenas na voz dos seus componentes, elevando o impacto emocional e mostrando quão incorporada está a obra pelo povo nilopolitano.

A evolução foi marcada pela segurança do conjunto: alas bem posicionadas, componentes animados e o senso de domínio da pista transformaram o ensaio em espetáculo. E a bateria, comandada por mestre Rodney e Plínio, reforçou a ancestralidade com bossas inspiradas nos toques dos atabaques, criando momentos de profundo diálogo rítmico com a proposta do enredo.

No fim de tudo, ficou a sensação de que a Beija-Flor não veio apenas treinar: veio mostrar que está pronta, afinada e disposta a brigar pelo bicampeonato no Carnaval de 2026, com identidade, força de comunidade e presença ritualística na avenida.