Darcy em pele de cobra: União de Maricá revela enredo que muda de forma para contar um utópico
A União de Maricá desceu à avenida com um enredo que pulsa de inteligência e coragem. Intitulado Utopia Brasil: Darcy Ribeiro, o projeto assinado pelo carnavalesco Edson Pereira mergulha fundo na vida de um dos maiores pensadores que este país já criou, aquele que não simplesmente pensou o Brasil, mas o viveu como missão.
O conceito das mudas de pele, extraído da própria confissão de Darcy quando se comparava às cobras, estrutura toda a narrativa do enredo. Cada transformação na trajetória do antropólogo, educador e utópico virou uma pele nova vestida por urgência concreta. Da infância em Montes Claros, onde aprendeu a ver o Brasil como procissão vibrante nas janelas do cartório do avó, até a derradeira volta da estrada na Academia Brasileira de Letras, a sinopse tece uma celebração ao legado de quem pensou a nação como tarefa coletiva.
A pesquisa antropológica cruza a luta pela educação pública e a devoção radical aos povos originários. Darcy nas matas do Xingu compreendeu que as culturas indígenas não desaparecem no contato, apenas se transfiguram. Da floresta tirou a obsessão que o definiria: a escola de dia inteiro, onde crianças pobres pudessem brincar, comer, crescer e estudar. Ergueu a Universidade de Brasília como catedral de saber no cerrado seco, filha que chamou sua.
O texto deixa claro que aquela utopia não morreu com Darcy. Como a cobra que larga a pele velha para continuar viva, ela mudou de corpo uma última vez e agora habita a gente. Na avenida, professores e estudantes, povos da floresta e sambistas receberão a herança. A missão está dada: façamos.

