Grande Rio retorna a Gana e traz Sankofa para o carnaval 2027
A Grande Rio abriu seu baú de histórias e puxou uma das mais poderosas travessias do carnaval carioca. Com o enredo intitulado “Sankofa Tabon: Os Retornados da Costa do Ouro e a Estrela Negra da Liberdade”, a escola de Duque de Caxias mergulha na saga dos africanos libertos que retornaram a Gana no século XIX, carregando consigo a memória do Brasil, a resistência e a filosofia ancestral que ensina a olhar sempre para trás enquanto se avança.
Desenvolvida pelo carnavalesco Antônio Gonzaga, com pesquisa e texto de Gonzaga e Jader Moraes, a sinopse funciona como um manifesto poético que servirá de bússola para compositores e segmentos da agremiação na construção do samba-enredo. O trabalho toca em temas viscerais: ancestralidade, identidade, resistência e a filosofia do Sankofa, aquele pássaro mítico que caminha para frente enquanto contempla o que ficou para trás.
A narrativa começa em primeira pessoa, com a voz de um retornado que carrega consigo a memória de sua mãe e a lembrança do oceano Atlântico. Passa pelo embarque forçado no Brasil, pela participação em revoltas como o Levante Malê na Bahia, e finalmente pelo retorno triunfal à Costa do Ouro, onde encontra os povos Akan, Ashanti, Fanti, Ewe, Dagomba e Gás. É nesse encontro que nasce a comunidade Tabon, brasileiros em Gana, um povo que não deixou de lado nem o português nem as crenças trazidas do Brasil.
A sinopse celebra o culto a Xangô, orixá que os retornados levaram para a África, e constrói um sonho coletivo de libertação e dignidade. Fala de uma estrela negra que brilha sobre todo o continente, símbolo de unidade pan-africana, e termina com uma promessa despertadora: o dia em que o mundo inteiro ouvirá o grito do novo africano nascer.
Este é o convite que a Grande Rio faz ao carnaval de 2027: uma jornada de volta a si mesmo para se transformar, uma celebração de quem somos quando reunimos Brasil e África numa só memória, pulsante, indomável e eterna.

