Carnaval 2027: os enredos já confirmados pelas escolas do Grupo Especial
Com a ordem oficial dos desfiles definida, o Carnaval 2027 já começa a ganhar forma na Marquês de Sapucaí. As escolas do Grupo Especial abriram a temporada de anúncios e o cenário aponta para uma edição marcada pela literatura brasileira, pela ancestralidade afro-brasileira, pela cultura popular e por homenagens a personagens históricos. Veja o enredo de cada agremiação, na ordem em que vão pisar na Avenida.
Domingo, 7 de fevereiro
União de Maricá — “Utopia Brasil: Darcy Ribeiro” (carnavalesco Edson Pereira). A agremiação da Região dos Lagos estreia na Sapucaí celebrando o sonho do educador, escritor e político por um país mais justo e democrático, e sua profunda ligação com o município, onde escolheu viver na Praia de Cordeirinho.
Beija-Flor de Nilópolis — “Zeneida: O Sopro do Pó de Louro” (carnavalesco João Vitor Araújo). A azul e branca homenageia Zeneida Lima, líder espiritual, pajé e escritora do Marajó, mergulhando nos saberes ancestrais amazônicos, na pajelança cabocla e na relação entre espiritualidade, natureza e preservação ambiental.
Paraíso do Tuiuti — “Ciata: a Mãe Preta do Samba” (carnavalesco Renato Lage). O Tuiuti reverencia Hilária Batista de Almeida, a histórica Tia Ciata, uma das figuras mais importantes para o nascimento do samba carioca — um desfile que revisita a Pequena África, as rodas de samba e a resistência das tias baianas.
Unidos de Vila Isabel — “Torto Arado – Sobre a Terra Há de Viver Sempre o Mais Forte” (carnavalesco Gabriel Haddad e Leonardo Bora). Inspirada no romance de Itamar Vieira Junior, a Vila aposta em uma adaptação literária de forte impacto social e espiritual, acompanhando Bibiana e Belonísia na luta quilombola pela terra, no sertão baiano e nos mistérios do Jarê.
Segunda-feira, 8 de fevereiro
Mocidade Independente de Padre Miguel — “Latinamente Independente: Nosso Norte é o Sul em Remanifesto” (carnavalesco Jack Vasconcelos). A partir de “América Invertida”, do uruguaio Joaquín Torres García, o desfile inverte o mapa e questiona o eurocentrismo, num resgate da identidade, da soberania e do orgulho latino-americano.
Unidos da Tijuca — “A Cabeça do Santo” (carnavalesco Lucas Milato). Baseado no livro de Socorro Acioli, o enredo traz o realismo mágico nordestino para a Sapucaí, na história de Samuel e de uma pequena cidade cearense marcada por uma gigantesca cabeça de Santo Antônio, entre fé, fantasia e identidade popular.
Acadêmicos do Salgueiro — “Laroyê Xica da Silva: a história por trás da história” (carnavalesco Jorge Silveira e Leonardo Antan). A vermelha e branca revisita a personagem que ganhou o mundo em seu terreiro, no lendário desfile de 1963, propondo um novo olhar sobre a força e o protagonismo da mulher negra no Brasil, longe de estigmas.
Imperatriz Leopoldinense — “A Memória do Rei e o Sumiço de Dona Júlia” (carnavalesco Leandro Vieira). A escola aposta na cultura popular nordestina para contar a história real do desaparecimento de Dona Júlia, boneca sagrada gigante do maracatu pernambucano, sumida por mais de três décadas até ser reencontrada em um terreiro de Olinda.
Terça-feira, 9 de fevereiro
Portela — “Ao Mestre, com Carinho” (carnavalesco Paulo Barros). A águia de Madureira homenageia Monarco, referência absoluta da Velha Guarda portelense, revisitando a trajetória do compositor e defensor da tradição com a memória afetiva e os efeitos cênicos marca de Paulo Barros.
Unidos do Viradouro — “Griô” (carnavalesco Tarcísio Zanon). A atual campeã exalta os guardiões da memória africana e a tradição oral como ferramenta de transmissão entre gerações, num paralelo entre o papel dos griôs e o próprio samba na preservação da identidade de um povo.
Acadêmicos do Grande Rio — “Sankofa Tabon: Os Retornados da Costa do Ouro e a Estrela Negra da Liberdade” (carnavalesco Antônio Gonzaga). A escola de Duque de Caxias narra a trajetória de africanos escravizados que, libertos, retornaram ao continente e se estabeleceram na Costa do Ouro — onde hoje está Gana, primeira nação independente da África Subsaariana.
Estação Primeira de Mangueira — “Oyá por Nós” (carnavalesco Sidnei França). A verde e rosa encerra o Grupo Especial com um enredo dedicado a Oyá, a Iansã das religiões de matriz africana — força feminina, ventos, tempestades e o poder de transformação, em uma proposta de espiritualidade e ancestralidade.
Os anúncios apontam para um Carnaval fortemente marcado pela literatura brasileira contemporânea e por homenagens a figuras fundamentais da cultura afro-brasileira e popular.

